sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Viés...

Vou usar essa primeira postagem para contar um pouco sobre a minha trajetória antes e depois do TDAH aparecer na minha vida.

Ao longo da minha vida, sempre fui associado com bagunça, desorganização, desatenção e principalmente: DESOBEDIÊNCIA.

Desde muito cedo minha mãe sempre foi chamada nas escolas para ouvir reclamações acerca do meu comportamento. Foram poucas as vezes em que tive problemas com outras crianças, sempre fui bem sociável, meu problema maior era com os níveis hierárquicos. Professores, diretores, coordenadores, psicólogos e seja lá mais quem for, meu nome era conhecido por todos, e modéstia parte, alguns até gostavam de mim.

Essa rotina sempre foi muito intensa desde muito cedo na minha vida, acho que desde a creche eu já aprontava bastante.

Mas foi a partir dos 15 anos que as coisas resolveram mudar na minha vida, e eu, sinceramente, preferia até que não mudassem.

Com os recorrentes  problemas disciplinares na escola, minha relação com minha mãe sempre foi um tanto complicada e desgastada. Quando tinha de 12 para 13 anos de idade, já era até um pouco comum ouvir que era vagabundo e não queria nada com a vida. Mas como já havia dito, aos 15 as coisas mudaram.

Sempre fui acostumado a sessões de terapia, aliás, desde que eu me entendo por gente já fazia terapia, isso é, desde uns 2 ou 3 anos de idade a terapia já era uma rotina para mim.

Um belo dia (com 15 anos) fui para mais uma consulta e tudo dentro do normal, a única diferença é que seria com um neurologista, mas isso pra mim na época não dizia muita coisa, só sabia que era algo pra tentar me consertar como sempre havia sido. Cheguei ao consultório dele e notei que não era um consultório qualquer e fui instruído a fazer uma bateria de testes. Não lembro bem quantos testes cheguei a fazer até encontrarem um diagnóstico, mas lembro muito bem da cara da minha mãe quando foi informada pelo médico. Ela chorava muito e se culpava por algumas coisas, principalmente quando o médico a informou que alguns estudos relacionavam o consumo de cigarro durante a gestação com o desenvolvimento do TDAH na criança. Foram muitos pedidos de desculpas e muitas conversas, fomos também procurar a opinião de outros profissionais, mas nada mudava e a marca do TDAH já estava mais do que encrostada na minha testa.

Vocês não têm ideia do quanto foi difícil (e continua sendo até hoje) lidar com aquela situação. Comecei a sentir coisas que nunca havia sentido. Ficava triste com facilidade, perdi peso e me via cada vez mais indo para médicos diferentes e tomando cada vez mais medicações diferentes.

Quando fui apresentado a Ritalina, ganhei de brinde um anti-depressivo e futuramente ainda tomaria alguns ansiolíticos. Tudo que eu tinha planejado até então para minha vida, tinha ido por água a baixo. Mesmo tendo apenas 15 anos de idade, minha frustração foi enorme.

Também aos 15 anos comecei a me aproximar das drogas. Primeiro comecei a beber... Depois experimentei benzina. Era muito comum na escola onde eu estudava, sem contar que era barato e tinha em qualquer farmácia. E quase chegando aos 16 anos de idade, fumei o meu primeiro baseado. Ao contrário da bebida e da benzina, a maconha despertou algo em mim que perdura até hoje e se relaciona muito com o que vai acontecer na minha vida dos 16 anos em diante.

A partir dos 16 anos, as coisas ficaram mais claras. Sabia que tinha que tomar o remédio, sabia que não podia beber e muito raramente (duas ou três vezes no ANO) eu fumava um baseado. Tive uma psicóloga que me ajudou muito no início do meu tratamento e tive uma psiquiatra que queria matar toda vez que era obrigado a passar por suas consultas. Vou falar separadamente de cada uma futuramente em outras postagens.


A partir daqui as coisas começaram a ficar um pouco mais complexas e vou compartilhar pouco a pouco as minhas experiências de vida até hoje.


Obrigados a todos que passaram por aqui...